terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Sentar na solidão dos dias.
Vingança na injusta passagem
das nuvens tormenta fictícia.
É o homem na esquina, é a
bola que foge das mãos ausentes
na própria falta d’alguma coisa.
Fugir para não permanecer no
turbilhão de vozes que gritam dentro
do teu próprio silêncio.
É a máscara dos tempos, a marca
dos teus dedos, chacoteados pelo
vento triunfal.
O fim dos dias tal e qual como
se t’ofereciam, no teu imaginário,
no teu poemário de lágrimas tinta
na vertiginosa passagem
das nuvens tormenta fictícia.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Na noite que por aqui passa,
fico só no pensamento que acompanha
o tumulto da estrada, a pedra que toco
a vontade que ignoro.
É o perdão do dia,
o descer da nuvem de negros raios,
de secas gotas, agua pequena
no sabor que desejo.
Tacteio cega como o rio que me foge
entre as mãos de solidão.
É o novo ciclo de borboletas,
a nova dor de barriga, o amor miudinho
a tentação que me ganhou.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.
Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.
Se males faz Amor, em mi se vêem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.
Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.
Luís de Camões
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Recado
ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço
Al Berto
sábado, 6 de novembro de 2010
A Casa Quis Dormir
(na ironia das noites sem sono)
Nesta noite, a Casa foi para a cama mais cedo.
A tentativa desesperada de ser atacada pelo sono
Foi rapidamente desiludida. A noite quis hoje
Esfolar o timbre desperto de maneira mais ruidosa
Que antes.
Perguntava-se a Casa, enrolada nos lençóis,
(Amarelos como o sol, com risquinhas azuis
Como a noite) como podia ser que logo
Quando ela cumpriu o que devia, a Noite não
Lhe deu o sono que queria.
A pele eriçou-se-lhe, como gato assanhado
Afagado onde era proibido, no pensamento
De tal maldade. Casa que é casa tarde se deita,
Mas por respeito aos seus pobres nervos, cedo
O quer.
“Ó senhor noite, que tanto me tormentas”, disse,
“Vem, devagarinho, acompanha-me no embalo
Dos lençóis como tantas e tardiamente o fizeste.
Escuta-me o desejo, sacia-me o cansaço e perdoa-me
As gretas de chuva mal molhada”
E nem assim, com este canto lânguido de olhos laços
A noite concedeu o que a Casa tanto pedia.
Quem sabe no novo dia, as gretas de chuva mal molhada
Sequem no tempo sem tempo, mal passado.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Solidão
Hoje foi o dia em que nos desconhecemos.
Perdemo-nos na rua onde te deixei, por
última vez, na amargura da doentia solidão
que insistia em nos perseguir.
Hoje, meu amor, meu doce palpitar,
vivi uma morte prematura, onde senti,
como nunca antes tinha acontecido, o pulsar
do nosso sangue que corria sendo uno, agora dois.
Murmurei o teu nome, sabor agridoce
acariciando os meus lábios, outrora teus,
pensando que assim invocado voltarias
correndo tornando-me numa alma perdoada.
Mas as folhas do Outono não deixam de cair,
a primavera acabou, e o verão está a partir.
O calor que nos envolvia numa abraço eterno
esfriou com as primeiras nuvens da tua ausência.
Solidão, antiga amiga, hoje digo-te,
no dia em que me tornei uma desconhecida,
não és bem-vinda.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
Dor II
Uma secura na ponta dos lábios
De uma intensa sede tão triste
Como a brisa que não chora
No dia que a noite chamou.
De uma intensa sede tão triste
Como a brisa que não chora
No dia que a noite chamou.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Dor
Quero que sintas a dor da minha ausência
Quando me quiseres e eu já não estiver.
Quero a dor da minha falta em permanência
E tu procurando-me na estrada sem me ver.
Quero metade do pesadelo na chuva salgada
Dos meus olhos-nuvem passageiros.
Quero outra metade de felicidade alvorada
Dos teus olhos negros cegos desconhecidos.
domingo, 4 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Noite II
As noites que passam pelos lençóis
De estradas enluadas sem sono
Começam onde eu acabo, perdida,
Onde tu começas, à descoberta.
Insónia de ardor no frio do escuro
Esconde-me às mãos que procuram no
Duro asfalto os passos que deste
Não sei para onde e que tanto anseio.
Vingo-me na pedra lançada ao lamaçal
De chuva que me lacrimeja a alma.
Ela bate no deserto da rua, com o eco.
As palavras batem, doem, sentem-se.
São o erradiar do cansaço corporal,
Que se levanta nobremente do corpo
Levado pela ternura da procura sem fim.
Este corpo tem uma sede tão própria,
Que não é como a tua nem como a dele,
Nem como daquele nem como a de ninguém.
É um insasiável ardor que deixa as
Suas pegadas na pele marcada pelo sábio
Conhecimento do amanhã agridoce.
Rastejo à procura de uma benção
De mar salgado da tua boca, rua
Sábia, escondida na população assustada.
Calco o chão, firme, debaixo do peso
Que me eleva num olhar fugaz de reconhecimento.
Vês-me do outro lado da passagem de terra.
Sou eu em ti.
Estou à espera do sono.
De estradas enluadas sem sono
Começam onde eu acabo, perdida,
Onde tu começas, à descoberta.
Insónia de ardor no frio do escuro
Esconde-me às mãos que procuram no
Duro asfalto os passos que deste
Não sei para onde e que tanto anseio.
Vingo-me na pedra lançada ao lamaçal
De chuva que me lacrimeja a alma.
Ela bate no deserto da rua, com o eco.
As palavras batem, doem, sentem-se.
São o erradiar do cansaço corporal,
Que se levanta nobremente do corpo
Levado pela ternura da procura sem fim.
Este corpo tem uma sede tão própria,
Que não é como a tua nem como a dele,
Nem como daquele nem como a de ninguém.
É um insasiável ardor que deixa as
Suas pegadas na pele marcada pelo sábio
Conhecimento do amanhã agridoce.
Rastejo à procura de uma benção
De mar salgado da tua boca, rua
Sábia, escondida na população assustada.
Calco o chão, firme, debaixo do peso
Que me eleva num olhar fugaz de reconhecimento.
Vês-me do outro lado da passagem de terra.
Sou eu em ti.
Estou à espera do sono.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Amor III
Quem é Amor, perguntas-me tu,
Num amanhecer de Noite enluada,
Entre mãos e suspiros que perseverantes
Conquistam a sombra da minha alma.
Sem palavras o ar fica, e os
Lábios que te procuram no vento,
Soltam palavras que vagueiam
Respostas sem sentido certo.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
De Dia ou Noite, que só os Deuses sabem,
"é um mistério que anda de mão dada
com o mais profundo que há em nós".
Quem é Amor dentro de mim,
Perguntas-me depois, levando-me
A ver a escuridão do meu
Ser escondido.
E vejo as lágrimas que derramo em folhas
Feitas de nuvens, minhas perseguidoras
Tuas tormentas no dia rutineiro.
E vejo o desalento que pérfido
Sai no hálito da estrada oca marcada
Pelas mãos sujas de sangue seco.
Vejo o significado sem definição
Dentro de ti, de tantas lutas batalhadas
Na solidão do desafiado sem desafiante.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
Que do meu corpo e alma se apoderam,
"É a minha vingança, e o meu descanço,
A minha perdição, e meu encontro."
Em ti, meu Amor.
Num amanhecer de Noite enluada,
Entre mãos e suspiros que perseverantes
Conquistam a sombra da minha alma.
Sem palavras o ar fica, e os
Lábios que te procuram no vento,
Soltam palavras que vagueiam
Respostas sem sentido certo.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
De Dia ou Noite, que só os Deuses sabem,
"é um mistério que anda de mão dada
com o mais profundo que há em nós".
Quem é Amor dentro de mim,
Perguntas-me depois, levando-me
A ver a escuridão do meu
Ser escondido.
E vejo as lágrimas que derramo em folhas
Feitas de nuvens, minhas perseguidoras
Tuas tormentas no dia rutineiro.
E vejo o desalento que pérfido
Sai no hálito da estrada oca marcada
Pelas mãos sujas de sangue seco.
Vejo o significado sem definição
Dentro de ti, de tantas lutas batalhadas
Na solidão do desafiado sem desafiante.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
Que do meu corpo e alma se apoderam,
"É a minha vingança, e o meu descanço,
A minha perdição, e meu encontro."
Em ti, meu Amor.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Epitáfio para uma velha donzela
De palmito e capela,
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!
José Régio
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!
José Régio
terça-feira, 13 de abril de 2010
Foi no dia do nosso terror,
que me apoderei das nossas
entranhas, vias de degredo,
sujo no chão de soturna canção.
Compreendo agora que o relógio
não para, nem no tempo, verme,
do sangue que escupo, doentia
e repito, mataste-me, madrugada.
Foi numa segunda feira de manhã
entre abraços e fogo primitivo
que cometi o crime da incrível
passagem da noite para o inferno.
que me apoderei das nossas
entranhas, vias de degredo,
sujo no chão de soturna canção.
Compreendo agora que o relógio
não para, nem no tempo, verme,
do sangue que escupo, doentia
e repito, mataste-me, madrugada.
Foi numa segunda feira de manhã
entre abraços e fogo primitivo
que cometi o crime da incrível
passagem da noite para o inferno.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O cheiro de sangue roça-me os sentidos
adormecidos, perdidos no vingar do dia e
no exterminio da noite. A soberania fragmentada
do luto que se eleva nas mãos, atiradas
contra o chão. Cabeça partida, no coração
de lajes azuis, o lençol azul ou cinzento,
a mancha branca que me cubriu todas as noites
e hoje foi a Alfama, ouvir um Fado, quem sabe,
ouvir um pranto desde a indiferente janela.
Um passo debaixo do chão,
um monstro dentro do armário. Uma cama sem pernas. Serradas
no cerrar do Tempo.
Tempo sem tempo.
Corre.
Tic tac.
Passou.
adormecidos, perdidos no vingar do dia e
no exterminio da noite. A soberania fragmentada
do luto que se eleva nas mãos, atiradas
contra o chão. Cabeça partida, no coração
de lajes azuis, o lençol azul ou cinzento,
a mancha branca que me cubriu todas as noites
e hoje foi a Alfama, ouvir um Fado, quem sabe,
ouvir um pranto desde a indiferente janela.
Um passo debaixo do chão,
um monstro dentro do armário. Uma cama sem pernas. Serradas
no cerrar do Tempo.
Tempo sem tempo.
Corre.
Tic tac.
Passou.
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Hoje, de cigarro na mão e
palavras perdidas no estalar
da língua, o céu escuro diamante
envolveu-me nos seus braços
na luta contra a
tormenta.
Hoje, vestida de estrelas
que pairam de fronte a mim,
vigio o mundo que me renasce
a boca, o corpo, a alma.
Hoje, com o sono a percorrer as
veias, vejo o cansaço a fugir
pelo lápiz que corre na inocência
perdida desta página, minha eterna
vida.
3/3/2010
palavras perdidas no estalar
da língua, o céu escuro diamante
envolveu-me nos seus braços
na luta contra a
tormenta.
Hoje, vestida de estrelas
que pairam de fronte a mim,
vigio o mundo que me renasce
a boca, o corpo, a alma.
Hoje, com o sono a percorrer as
veias, vejo o cansaço a fugir
pelo lápiz que corre na inocência
perdida desta página, minha eterna
vida.
3/3/2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Há dias
Há dias em que pouco penso nas
Coisas que me acontecem como um
tic-tac do relógio do Tempo que
aqui ficou, e já se foi embora.
Há dias que sinto que a Vida
é uma longa lista de espera
da qual não há maneira de avançar
e correr para o próximo patamar
inesperado e desconhecido na
sala seguinte de novas interrogações
sem sentido, sempre, é verdade que
é difícil saber que se é quando não
se sabe se se é.
AContecem-me coisas várias
no jogo de palavras que me saem
dos dedos, pequenos e curtos
como a mão da criança à procura
da mãe que não encontra.
É verdade que é difícil percorrer
o caminho salgado entre as pedras
do mar banhado de lágrimas vindas
dum não sei onde que está lá.
Pelo menos isso sabe onde está.
Acontecem-me outras coisas várias
como o sonhar o céu do mar do apogeu
do ensejo há tanto desejado, procurado
no encanto do canto do vento, da brisa
dos toques de ternura que aqui vem
e eu vejo, quero e persigo sempre,
sempre de olhos abertos ao novo
sonho real que aqui está
Coisas que me acontecem como um
tic-tac do relógio do Tempo que
aqui ficou, e já se foi embora.
Há dias que sinto que a Vida
é uma longa lista de espera
da qual não há maneira de avançar
e correr para o próximo patamar
inesperado e desconhecido na
sala seguinte de novas interrogações
sem sentido, sempre, é verdade que
é difícil saber que se é quando não
se sabe se se é.
AContecem-me coisas várias
no jogo de palavras que me saem
dos dedos, pequenos e curtos
como a mão da criança à procura
da mãe que não encontra.
É verdade que é difícil percorrer
o caminho salgado entre as pedras
do mar banhado de lágrimas vindas
dum não sei onde que está lá.
Pelo menos isso sabe onde está.
Acontecem-me outras coisas várias
como o sonhar o céu do mar do apogeu
do ensejo há tanto desejado, procurado
no encanto do canto do vento, da brisa
dos toques de ternura que aqui vem
e eu vejo, quero e persigo sempre,
sempre de olhos abertos ao novo
sonho real que aqui está
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Onda, mar de lágrimas salgado
Onda, mar de lágrimas salgado
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer
Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.
Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto
Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer
Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.
Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto
Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Onda, mar de lágrimas salgado
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer
Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.
Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto
Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.
01/01/2009
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer
Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.
Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto
Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.
01/01/2009
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Invictus
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
É Urgente o Amor
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Subida.
Noite vingativa, numa canção,
Sobre paredes de fogo, prisão,
Agua espumante, na palma da mão
Dos dedos que procuram, em vão.
Olhar fugitivo, sai das grades,
Das chamas perigosas, incontornáveis
Desejos de coração caido, nas lajes
Sujas de sangue redentor, imortal.
Silêncio em tempos de redenção.
Rugido victorioso na elevação
Dos espíritos esmagados, atraiçoados
Armonia tão perfeita nos apedrejados
Pela fúria do dia que despoletou
A euforia das promessas que alguém criou
Dos sentidos luxuriantes de vinganças
Que destruiram ignóbeis, fúteis crenças.
Triste, pobre aquele que fica assim,
Atirado na estrada do eco do passado,
Que escorregou dos dedos que procuravam sem fim,
As páginas arrancadas do livro do atardecer,
Encontrando as páginas de esse novo amanhecer
Prometido na luz do sorriso passageiro,
Porém, eterno.
Sobre paredes de fogo, prisão,
Agua espumante, na palma da mão
Dos dedos que procuram, em vão.
Olhar fugitivo, sai das grades,
Das chamas perigosas, incontornáveis
Desejos de coração caido, nas lajes
Sujas de sangue redentor, imortal.
Silêncio em tempos de redenção.
Rugido victorioso na elevação
Dos espíritos esmagados, atraiçoados
Armonia tão perfeita nos apedrejados
Pela fúria do dia que despoletou
A euforia das promessas que alguém criou
Dos sentidos luxuriantes de vinganças
Que destruiram ignóbeis, fúteis crenças.
Triste, pobre aquele que fica assim,
Atirado na estrada do eco do passado,
Que escorregou dos dedos que procuravam sem fim,
As páginas arrancadas do livro do atardecer,
Encontrando as páginas de esse novo amanhecer
Prometido na luz do sorriso passageiro,
Porém, eterno.
domingo, 31 de janeiro de 2010
A brisa percorre-me a cara,
De olhos fechados sinto a primavera,
O horizonte.
Será Esperança?
Serão novos tempos?
Será que sonho, ou será que procuro
Finalmente o eterno prometido?
Será que vieste para quebrar as trevas
Que me aprisionam?
Não sei, não me importa. Levo-me na aragem,
E penso encontrar o caminho perdido.
De olhos fechados sinto a primavera,
O horizonte.
Será Esperança?
Serão novos tempos?
Será que sonho, ou será que procuro
Finalmente o eterno prometido?
Será que vieste para quebrar as trevas
Que me aprisionam?
Não sei, não me importa. Levo-me na aragem,
E penso encontrar o caminho perdido.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
No-sense
Envolve-ne nos teus braços
Destrói comigo a tormenta
Permite-me a vingança, entrelaçados,
Num sonho que já não me atormenta.
Leva-me. Puxa-me do fundo das águas,
Lago estagnado no tempo que aqui ficou,
Nas mãos infantis que minhas são, estendidas,
Na espera de saber onde estou.
Procura-me na floresta dos medos.
Eles apredejam-me com balas
Que penetram na pele. Os olhos queimados.
Porque é que não me falas
De sonhos, de terras distantes,
De sonhos, que não deixam o pesadelo
Real irreal que me afoga nos cobertores,
Na relva que piso como piso o meu desalento?
Talvez porque não ouço.
Fico-me no canto de castigo,
Porque assim quero, assim faço,
Assim permaneço com a porta no postigo.
Porque é que não fujo
Se nada me impede senão o terror
À Vida, ao Amor, à Aventura
A falta de coragem mata-me.
Morro lentamente,
Sufocada no meu próprio sangue,
Suor de trabalho forçado,
Água salgada que eu derramo,
Que percorre e corre,
Vigorosa.
Eu, esfomeada de aragem,
Brisa que me beija a face.
Eu, sanguinaria, prometo-me à dança da morte,
Num círculo onde acabarei caida
No meu próprio pé.
Sacia-me. Acaba com esta sede.
Peço de mais. Bate-me.
Morde-me. As estrelinhas cairam.
Tento subir pelas escadas da torre,
Levo cola na mão, estrela na outra.
Não, cola não.
Amor, beijo, saliva.
Cuspo. Cuspo palavras
Ao mesmo tempo que o Tempo cospe a mim.
Aqui sentada, a meia luz,
A televisão na sala. Eu, pedrada.
Pedrada de sono. Pedrada de ódio.
As drogas pouco fazem.
O meu ópio é a minha pena.
Ser gasto. Sem Sonho.
Ser sôfrego de mar, sal, terra,
Vestido branco sujo de sangue, de terra.
Cheiro a pele queimada contra a minha.
Não sei que digo, não sei que faço,
Escupo, escupo palavras.
Não sei escrever. Escupo desenhos em páginas brancas,
Pelo desejo de corrompe-las.
Acabar com uma inocência que já não me pertence.
Sinto-me pequenina, velha, rugas que me cobrem.
As pessoas me fojem.
As formigas me comem.
Cádaver em potência.
Morte em processo. Lento, lentamente,
Como a aragem que tanto desejo,
Ensejo no horizonte.
Horizonte? Há?
Procura-me. Não. Eu procuro.
Vou sair. Não volto.
Corto as cordas, os nós que me prendem o corpo nú
À luz da Lua. Lua com o teu brilho de Sol.
Dois, uno. Luz e escuridão, fragilidade e coração
Apertado num só corpo dividido.
Destrói comigo a tormenta
Permite-me a vingança, entrelaçados,
Num sonho que já não me atormenta.
Leva-me. Puxa-me do fundo das águas,
Lago estagnado no tempo que aqui ficou,
Nas mãos infantis que minhas são, estendidas,
Na espera de saber onde estou.
Procura-me na floresta dos medos.
Eles apredejam-me com balas
Que penetram na pele. Os olhos queimados.
Porque é que não me falas
De sonhos, de terras distantes,
De sonhos, que não deixam o pesadelo
Real irreal que me afoga nos cobertores,
Na relva que piso como piso o meu desalento?
Talvez porque não ouço.
Fico-me no canto de castigo,
Porque assim quero, assim faço,
Assim permaneço com a porta no postigo.
Porque é que não fujo
Se nada me impede senão o terror
À Vida, ao Amor, à Aventura
A falta de coragem mata-me.
Morro lentamente,
Sufocada no meu próprio sangue,
Suor de trabalho forçado,
Água salgada que eu derramo,
Que percorre e corre,
Vigorosa.
Eu, esfomeada de aragem,
Brisa que me beija a face.
Eu, sanguinaria, prometo-me à dança da morte,
Num círculo onde acabarei caida
No meu próprio pé.
Sacia-me. Acaba com esta sede.
Peço de mais. Bate-me.
Morde-me. As estrelinhas cairam.
Tento subir pelas escadas da torre,
Levo cola na mão, estrela na outra.
Não, cola não.
Amor, beijo, saliva.
Cuspo. Cuspo palavras
Ao mesmo tempo que o Tempo cospe a mim.
Aqui sentada, a meia luz,
A televisão na sala. Eu, pedrada.
Pedrada de sono. Pedrada de ódio.
As drogas pouco fazem.
O meu ópio é a minha pena.
Ser gasto. Sem Sonho.
Ser sôfrego de mar, sal, terra,
Vestido branco sujo de sangue, de terra.
Cheiro a pele queimada contra a minha.
Não sei que digo, não sei que faço,
Escupo, escupo palavras.
Não sei escrever. Escupo desenhos em páginas brancas,
Pelo desejo de corrompe-las.
Acabar com uma inocência que já não me pertence.
Sinto-me pequenina, velha, rugas que me cobrem.
As pessoas me fojem.
As formigas me comem.
Cádaver em potência.
Morte em processo. Lento, lentamente,
Como a aragem que tanto desejo,
Ensejo no horizonte.
Horizonte? Há?
Procura-me. Não. Eu procuro.
Vou sair. Não volto.
Corto as cordas, os nós que me prendem o corpo nú
À luz da Lua. Lua com o teu brilho de Sol.
Dois, uno. Luz e escuridão, fragilidade e coração
Apertado num só corpo dividido.
Que desejo? Não sei.
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Não sei o que dizer.
O vento levou-me as palavras,
Que não sabiam o que fazer,
No tempo perdido entre masmorras.
Sinto um algo aqui,
Não sei o que senti,
Sei que algo perdi,
Mas que de certeza não esqueci.
Continua ali, perdido,
Entre as nuvens do ignóbil,
Que fica aqui, estendido,
No meu corpo sujo, infértil.
Tenho medo da estúpida inútil
Aura que me atormenta
As noites, os dias, o fútil
Da vida que não é vida. É massa poeirenta.
Sim! Isto é uma declaração
Dos medos que perseguem, que me perseguem,
Que me fazem uma qualquer castração
De tudo o que poderia ser. Me mentem.
Me batem, cá dentro, muito fundo
Onde ninguém jamais viu
O que jamais poderia existir no mundo,
Que tudo o que é alguem, sentiu.
Vivo na promessa de um dia que não sei.
Vivo na promessa de um presente que não me chegou.
Vivo na ambição de uma meta de uma corrida que não sei onde começa.
Os tiros são para a escuridão.
O caminho, podridão.
Sou um ser sem alma doentio.
«E ver passar a vida, faz-me tédio.»
O vento levou-me as palavras,
Que não sabiam o que fazer,
No tempo perdido entre masmorras.
Sinto um algo aqui,
Não sei o que senti,
Sei que algo perdi,
Mas que de certeza não esqueci.
Continua ali, perdido,
Entre as nuvens do ignóbil,
Que fica aqui, estendido,
No meu corpo sujo, infértil.
Tenho medo da estúpida inútil
Aura que me atormenta
As noites, os dias, o fútil
Da vida que não é vida. É massa poeirenta.
Sim! Isto é uma declaração
Dos medos que perseguem, que me perseguem,
Que me fazem uma qualquer castração
De tudo o que poderia ser. Me mentem.
Me batem, cá dentro, muito fundo
Onde ninguém jamais viu
O que jamais poderia existir no mundo,
Que tudo o que é alguem, sentiu.
Vivo na promessa de um dia que não sei.
Vivo na promessa de um presente que não me chegou.
Vivo na ambição de uma meta de uma corrida que não sei onde começa.
Os tiros são para a escuridão.
O caminho, podridão.
Sou um ser sem alma doentio.
«E ver passar a vida, faz-me tédio.»
Assinar:
Postagens (Atom)