segunda-feira, 5 de abril de 2010

O cheiro de sangue roça-me os sentidos
adormecidos, perdidos no vingar do dia e
no exterminio da noite. A soberania fragmentada
do luto que se eleva nas mãos, atiradas
contra o chão. Cabeça partida, no coração
de lajes azuis, o lençol azul ou cinzento,
a mancha branca que me cubriu todas as noites
e hoje foi a Alfama, ouvir um Fado, quem sabe,
ouvir um pranto desde a indiferente janela.
Um passo debaixo do chão,
um monstro dentro do armário. Uma cama sem pernas. Serradas
no cerrar do Tempo.
Tempo sem tempo.
Corre.
Tic tac.
Passou.

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