domingo, 28 de fevereiro de 2010

É incrível o pesar do homem que olha pela
Janela do seu olhar, como pássaro que não voa
E vê o céu do mar.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Há dias

Há dias em que pouco penso nas
Coisas que me acontecem como um
tic-tac do relógio do Tempo que
aqui ficou, e já se foi embora.
Há dias que sinto que a Vida
é uma longa lista de espera
da qual não há maneira de avançar
e correr para o próximo patamar
inesperado e desconhecido na
sala seguinte de novas interrogações
sem sentido, sempre, é verdade que
é difícil saber que se é quando não
se sabe se se é.
AContecem-me coisas várias
no jogo de palavras que me saem
dos dedos, pequenos e curtos
como a mão da criança à procura
da mãe que não encontra.
É verdade que é difícil percorrer
o caminho salgado entre as pedras
do mar banhado de lágrimas vindas
dum não sei onde que está lá.
Pelo menos isso sabe onde está.
Acontecem-me outras coisas várias
como o sonhar o céu do mar do apogeu
do ensejo há tanto desejado, procurado
no encanto do canto do vento, da brisa
dos toques de ternura que aqui vem
e eu vejo, quero e persigo sempre,
sempre de olhos abertos ao novo
sonho real que aqui está

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Onda, mar de lágrimas salgado

Onda, mar de lágrimas salgado
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer

Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.

Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto

Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.


Eugénio de Andrade

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Onda, mar de lágrimas salgado
Tempestade confusa no ser
Em pertencer a um presente acabado
Poesia sem sentido no anoitecer

Anoitecer duma alma sem Vida
Brincando sempre, inconstante
Como quem em terra molhada caminha
Como se no azul estivesse perdido.

Perdido o caminho achado.
Jogar às escondidas num quarto escuro.
Paredes estranhas ao toque marcado
Pela constante procura no fim do labirinto

Onda, morte de lágrimas salgada
Falta de existência em agua parada
Foge como quem tem medo.
Foge como quem não tem medo.

01/01/2009

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

É Urgente o Amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

As minhas palavras escorregadias
Protegem-me dos tempos de soberania
Vingativa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Subida.

Noite vingativa, numa canção,
Sobre paredes de fogo, prisão,
Agua espumante, na palma da mão
Dos dedos que procuram, em vão.

Olhar fugitivo, sai das grades,
Das chamas perigosas, incontornáveis
Desejos de coração caido, nas lajes
Sujas de sangue redentor, imortal.

Silêncio em tempos de redenção.
Rugido victorioso na elevação
Dos espíritos esmagados, atraiçoados
Armonia tão perfeita nos apedrejados

Pela fúria do dia que despoletou
A euforia das promessas que alguém criou
Dos sentidos luxuriantes de vinganças
Que destruiram ignóbeis, fúteis crenças.

Triste, pobre aquele que fica assim,
Atirado na estrada do eco do passado,
Que escorregou dos dedos que procuravam sem fim,
As páginas arrancadas do livro do atardecer,

Encontrando as páginas de esse novo amanhecer
Prometido na luz do sorriso passageiro,
Porém, eterno.