Hoje foi o dia em que nos desconhecemos.
Perdemo-nos na rua onde te deixei, por
última vez, na amargura da doentia solidão
que insistia em nos perseguir.
Hoje, meu amor, meu doce palpitar,
vivi uma morte prematura, onde senti,
como nunca antes tinha acontecido, o pulsar
do nosso sangue que corria sendo uno, agora dois.
Murmurei o teu nome, sabor agridoce
acariciando os meus lábios, outrora teus,
pensando que assim invocado voltarias
correndo tornando-me numa alma perdoada.
Mas as folhas do Outono não deixam de cair,
a primavera acabou, e o verão está a partir.
O calor que nos envolvia numa abraço eterno
esfriou com as primeiras nuvens da tua ausência.
Solidão, antiga amiga, hoje digo-te,
no dia em que me tornei uma desconhecida,
não és bem-vinda.
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