quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lembrança I

Procura-se num olhar aquilo que não se encontra
no simples roce do dia a dia. É uma memória
perdida no sótão do teu pensamento. É uma camada
de pouco ou nada, a inquietação permanentemente aqui.
Fugir de si mesmo, correr na rua empedrada,
a chuva que te cega por uns momentos de pequena glória,
a libertação do teu corpo rasgado pelo poema triste que não se
soltou. A violência de uma palavra silenciada é a condenação
sobre uma procura constante, a dúvida que permanece.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Silêncio

Silêncio.
Vigília atenta.
Estremeço.
Dor aguda.
Soluço.
É a lágrima que fica.
É o momento perdido.
É o minuto que não passa.
É a vontade que não larga.

Silêncio.
Cai a gota.
Fico.
Cai o céu.
Noite que não chega.
Dia que não amanhece.
É a estrada que m’ atravessa.
O grito que m’ encrava.
O asfalto que m’agarra.
Parada.

A violência que fica
Numa palavra silenciada.