(na ironia das noites sem sono)
Nesta noite, a Casa foi para a cama mais cedo.
A tentativa desesperada de ser atacada pelo sono
Foi rapidamente desiludida. A noite quis hoje
Esfolar o timbre desperto de maneira mais ruidosa
Que antes.
Perguntava-se a Casa, enrolada nos lençóis,
(Amarelos como o sol, com risquinhas azuis
Como a noite) como podia ser que logo
Quando ela cumpriu o que devia, a Noite não
Lhe deu o sono que queria.
A pele eriçou-se-lhe, como gato assanhado
Afagado onde era proibido, no pensamento
De tal maldade. Casa que é casa tarde se deita,
Mas por respeito aos seus pobres nervos, cedo
O quer.
“Ó senhor noite, que tanto me tormentas”, disse,
“Vem, devagarinho, acompanha-me no embalo
Dos lençóis como tantas e tardiamente o fizeste.
Escuta-me o desejo, sacia-me o cansaço e perdoa-me
As gretas de chuva mal molhada”
E nem assim, com este canto lânguido de olhos laços
A noite concedeu o que a Casa tanto pedia.
Quem sabe no novo dia, as gretas de chuva mal molhada
Sequem no tempo sem tempo, mal passado.