Quem é Amor, perguntas-me tu,
Num amanhecer de Noite enluada,
Entre mãos e suspiros que perseverantes
Conquistam a sombra da minha alma.
Sem palavras o ar fica, e os
Lábios que te procuram no vento,
Soltam palavras que vagueiam
Respostas sem sentido certo.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
De Dia ou Noite, que só os Deuses sabem,
"é um mistério que anda de mão dada
com o mais profundo que há em nós".
Quem é Amor dentro de mim,
Perguntas-me depois, levando-me
A ver a escuridão do meu
Ser escondido.
E vejo as lágrimas que derramo em folhas
Feitas de nuvens, minhas perseguidoras
Tuas tormentas no dia rutineiro.
E vejo o desalento que pérfido
Sai no hálito da estrada oca marcada
Pelas mãos sujas de sangue seco.
Vejo o significado sem definição
Dentro de ti, de tantas lutas batalhadas
Na solidão do desafiado sem desafiante.
"Amor", fazes-me dizer nos teus olhos
Que do meu corpo e alma se apoderam,
"É a minha vingança, e o meu descanço,
A minha perdição, e meu encontro."
Em ti, meu Amor.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Epitáfio para uma velha donzela
De palmito e capela,
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!
José Régio
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!
José Régio
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