A brisa percorre-me a cara,
De olhos fechados sinto a primavera,
O horizonte.
Será Esperança?
Serão novos tempos?
Será que sonho, ou será que procuro
Finalmente o eterno prometido?
Será que vieste para quebrar as trevas
Que me aprisionam?
Não sei, não me importa. Levo-me na aragem,
E penso encontrar o caminho perdido.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
No-sense
Envolve-ne nos teus braços
Destrói comigo a tormenta
Permite-me a vingança, entrelaçados,
Num sonho que já não me atormenta.
Leva-me. Puxa-me do fundo das águas,
Lago estagnado no tempo que aqui ficou,
Nas mãos infantis que minhas são, estendidas,
Na espera de saber onde estou.
Procura-me na floresta dos medos.
Eles apredejam-me com balas
Que penetram na pele. Os olhos queimados.
Porque é que não me falas
De sonhos, de terras distantes,
De sonhos, que não deixam o pesadelo
Real irreal que me afoga nos cobertores,
Na relva que piso como piso o meu desalento?
Talvez porque não ouço.
Fico-me no canto de castigo,
Porque assim quero, assim faço,
Assim permaneço com a porta no postigo.
Porque é que não fujo
Se nada me impede senão o terror
À Vida, ao Amor, à Aventura
A falta de coragem mata-me.
Morro lentamente,
Sufocada no meu próprio sangue,
Suor de trabalho forçado,
Água salgada que eu derramo,
Que percorre e corre,
Vigorosa.
Eu, esfomeada de aragem,
Brisa que me beija a face.
Eu, sanguinaria, prometo-me à dança da morte,
Num círculo onde acabarei caida
No meu próprio pé.
Sacia-me. Acaba com esta sede.
Peço de mais. Bate-me.
Morde-me. As estrelinhas cairam.
Tento subir pelas escadas da torre,
Levo cola na mão, estrela na outra.
Não, cola não.
Amor, beijo, saliva.
Cuspo. Cuspo palavras
Ao mesmo tempo que o Tempo cospe a mim.
Aqui sentada, a meia luz,
A televisão na sala. Eu, pedrada.
Pedrada de sono. Pedrada de ódio.
As drogas pouco fazem.
O meu ópio é a minha pena.
Ser gasto. Sem Sonho.
Ser sôfrego de mar, sal, terra,
Vestido branco sujo de sangue, de terra.
Cheiro a pele queimada contra a minha.
Não sei que digo, não sei que faço,
Escupo, escupo palavras.
Não sei escrever. Escupo desenhos em páginas brancas,
Pelo desejo de corrompe-las.
Acabar com uma inocência que já não me pertence.
Sinto-me pequenina, velha, rugas que me cobrem.
As pessoas me fojem.
As formigas me comem.
Cádaver em potência.
Morte em processo. Lento, lentamente,
Como a aragem que tanto desejo,
Ensejo no horizonte.
Horizonte? Há?
Procura-me. Não. Eu procuro.
Vou sair. Não volto.
Corto as cordas, os nós que me prendem o corpo nú
À luz da Lua. Lua com o teu brilho de Sol.
Dois, uno. Luz e escuridão, fragilidade e coração
Apertado num só corpo dividido.
Destrói comigo a tormenta
Permite-me a vingança, entrelaçados,
Num sonho que já não me atormenta.
Leva-me. Puxa-me do fundo das águas,
Lago estagnado no tempo que aqui ficou,
Nas mãos infantis que minhas são, estendidas,
Na espera de saber onde estou.
Procura-me na floresta dos medos.
Eles apredejam-me com balas
Que penetram na pele. Os olhos queimados.
Porque é que não me falas
De sonhos, de terras distantes,
De sonhos, que não deixam o pesadelo
Real irreal que me afoga nos cobertores,
Na relva que piso como piso o meu desalento?
Talvez porque não ouço.
Fico-me no canto de castigo,
Porque assim quero, assim faço,
Assim permaneço com a porta no postigo.
Porque é que não fujo
Se nada me impede senão o terror
À Vida, ao Amor, à Aventura
A falta de coragem mata-me.
Morro lentamente,
Sufocada no meu próprio sangue,
Suor de trabalho forçado,
Água salgada que eu derramo,
Que percorre e corre,
Vigorosa.
Eu, esfomeada de aragem,
Brisa que me beija a face.
Eu, sanguinaria, prometo-me à dança da morte,
Num círculo onde acabarei caida
No meu próprio pé.
Sacia-me. Acaba com esta sede.
Peço de mais. Bate-me.
Morde-me. As estrelinhas cairam.
Tento subir pelas escadas da torre,
Levo cola na mão, estrela na outra.
Não, cola não.
Amor, beijo, saliva.
Cuspo. Cuspo palavras
Ao mesmo tempo que o Tempo cospe a mim.
Aqui sentada, a meia luz,
A televisão na sala. Eu, pedrada.
Pedrada de sono. Pedrada de ódio.
As drogas pouco fazem.
O meu ópio é a minha pena.
Ser gasto. Sem Sonho.
Ser sôfrego de mar, sal, terra,
Vestido branco sujo de sangue, de terra.
Cheiro a pele queimada contra a minha.
Não sei que digo, não sei que faço,
Escupo, escupo palavras.
Não sei escrever. Escupo desenhos em páginas brancas,
Pelo desejo de corrompe-las.
Acabar com uma inocência que já não me pertence.
Sinto-me pequenina, velha, rugas que me cobrem.
As pessoas me fojem.
As formigas me comem.
Cádaver em potência.
Morte em processo. Lento, lentamente,
Como a aragem que tanto desejo,
Ensejo no horizonte.
Horizonte? Há?
Procura-me. Não. Eu procuro.
Vou sair. Não volto.
Corto as cordas, os nós que me prendem o corpo nú
À luz da Lua. Lua com o teu brilho de Sol.
Dois, uno. Luz e escuridão, fragilidade e coração
Apertado num só corpo dividido.
Que desejo? Não sei.
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Não sei o que dizer.
O vento levou-me as palavras,
Que não sabiam o que fazer,
No tempo perdido entre masmorras.
Sinto um algo aqui,
Não sei o que senti,
Sei que algo perdi,
Mas que de certeza não esqueci.
Continua ali, perdido,
Entre as nuvens do ignóbil,
Que fica aqui, estendido,
No meu corpo sujo, infértil.
Tenho medo da estúpida inútil
Aura que me atormenta
As noites, os dias, o fútil
Da vida que não é vida. É massa poeirenta.
Sim! Isto é uma declaração
Dos medos que perseguem, que me perseguem,
Que me fazem uma qualquer castração
De tudo o que poderia ser. Me mentem.
Me batem, cá dentro, muito fundo
Onde ninguém jamais viu
O que jamais poderia existir no mundo,
Que tudo o que é alguem, sentiu.
Vivo na promessa de um dia que não sei.
Vivo na promessa de um presente que não me chegou.
Vivo na ambição de uma meta de uma corrida que não sei onde começa.
Os tiros são para a escuridão.
O caminho, podridão.
Sou um ser sem alma doentio.
«E ver passar a vida, faz-me tédio.»
O vento levou-me as palavras,
Que não sabiam o que fazer,
No tempo perdido entre masmorras.
Sinto um algo aqui,
Não sei o que senti,
Sei que algo perdi,
Mas que de certeza não esqueci.
Continua ali, perdido,
Entre as nuvens do ignóbil,
Que fica aqui, estendido,
No meu corpo sujo, infértil.
Tenho medo da estúpida inútil
Aura que me atormenta
As noites, os dias, o fútil
Da vida que não é vida. É massa poeirenta.
Sim! Isto é uma declaração
Dos medos que perseguem, que me perseguem,
Que me fazem uma qualquer castração
De tudo o que poderia ser. Me mentem.
Me batem, cá dentro, muito fundo
Onde ninguém jamais viu
O que jamais poderia existir no mundo,
Que tudo o que é alguem, sentiu.
Vivo na promessa de um dia que não sei.
Vivo na promessa de um presente que não me chegou.
Vivo na ambição de uma meta de uma corrida que não sei onde começa.
Os tiros são para a escuridão.
O caminho, podridão.
Sou um ser sem alma doentio.
«E ver passar a vida, faz-me tédio.»
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