quinta-feira, 1 de julho de 2010

Noite II

As noites que passam pelos lençóis
De estradas enluadas sem sono
Começam onde eu acabo, perdida,
Onde tu começas, à descoberta.

Insónia de ardor no frio do escuro
Esconde-me às mãos que procuram no
Duro asfalto os passos que deste
Não sei para onde e que tanto anseio.

Vingo-me na pedra lançada ao lamaçal
De chuva que me lacrimeja a alma.
Ela bate no deserto da rua, com o eco.
As palavras batem, doem, sentem-se.

São o erradiar do cansaço corporal,
Que se levanta nobremente do corpo
Levado pela ternura da procura sem fim.

Este corpo tem uma sede tão própria,
Que não é como a tua nem como a dele,
Nem como daquele nem como a de ninguém.

É um insasiável ardor que deixa as
Suas pegadas na pele marcada pelo sábio
Conhecimento do amanhã agridoce.

Rastejo à procura de uma benção
De mar salgado da tua boca, rua
Sábia, escondida na população assustada.

Calco o chão, firme, debaixo do peso
Que me eleva num olhar fugaz de reconhecimento.

Vês-me do outro lado da passagem de terra.
Sou eu em ti.

Estou à espera do sono.

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