sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Sem tempo
Escrevo-te no embalo
do som que vem ao longe.
É o rio que se escapa
e a luz que adormece, languidia.
Escrevo-te e não sei porquê,
talvez pela vontade repentina
de perpetuar o que o corpo sente
e que as mãos traduzem
num silencioso canto.
Sabe cada palavra um beijo,
cada imagem, uma promessa,
cada poema, uma celebração.
Escrevo-te e celebro-te,
sem tempo, sem dias,
cada teu gesto, como ave que passeia a primavera,
cada teu olhar, cada linha do teu corpo,
cada palavra que me dás, cada sorriso,
cada segundo que vivo ao teu lado,
cada sorriso que me desenhas, a alegria, a felicidade,
cada beijo e estalar dos lábios,
Por seres eterno, por seres sem tempo,
por seres.
Escrevo-te.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Os passos em escuro
dados pela mão que sente
a pele, invadida pelo tempo
com tempo para o tempo passar.
O som da lágrima do corpo
da vontade que é esta de
perder em caminhos não sabidos.
O vulto na luz que escurece em
contra-mão a ténue linha dessa
figura qu'assalta o sonho ensonhado.
O mar, a onda sem fim, a folha que não
cai em lágrima perdida, gotejante
dum pouco mais.
Os dedos que se reencontram numa
brisa, carícia duma doce promessa.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Partido Alto
"Diz que deu, diz que dá"
É uma procura, uma dádiva
tal e qual perdida, cheia
do torpor de quem dá não dando.
A vingança na batalha dada
nas sujas ruas, pedra, sague,
suor e cuspo colado às pedras.
"E se deus negar", negar-me-ei
no alto da minha miséria,
bato, estalo, grito e volto,
cabeça erguida, ao lugar que pertenço.
Na chegada à Ítaca em espera, viajando
na mão-ave que é a tua, aquele ensonho
acordado, viajado, que m'arrasta
pelo passo queda passo.
Levantas-me em sonho, indigno-me no dia real.
Tenho o que é preciso para não virar costas
e voltar.
Sem negar a dura labuta, sem negar o sangue cuspido
nas mãos batalhadas. Regresso.
Ao Alto da nossa casa.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Corpo-a-Corpo II
Concentra-se o tempo neste segundo
Condensado pela memória de ti
Espelhado pelo sentimento dum beijo
Perdido nesse momento de languidez fugidia
As palavras não são o bastante
Para a singularidade do que fazes crescer
Neste peito-flama rogante de ti
Os olhos desmaiam na fragilidade
Deste espaço criado
Num pedido para um pouco mais,
Lento e leve, quem sabe, docemente
Há uma ânsia, uma vontade quase voraz,
Carnívora na sua beleza de inocência perdida,
De descobrir essa curva de suave promessa
Abre o tempo em toda a sua complexidade,
Em toda a sua rede de amores imperfeitos,
Na sua natureza de água e fogo
E na volta à batalha duramente doce corpo-a-corpo.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Corpo-a-Corpo
Há um medo incandescente
nesta batalha
corpo-a-corpo.
Há a incerteza no ataque
que, bailante, se desfere
sobre a palma aberta.
O olhar posto na nudeza
da pele ferida.
O peso da carne fundida a dois.
O tempo que leva esta luta
dançante numa súplica
silenciosa. O medo que
violenta
mais um momento
de doçura
nesta batalha
corpo-a-corpo.
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