És doce.
E eu tenho medo.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A mão prensada, frágil,
Sobre a tua pele, fria
Pela chuva que corre.
Percorre. As tuas veias,
Com as lágrimas de sangue
Que escorregam das faces
Das casas, inocentes,
Vindas do nada, intemporal,
Infinito finito
Que dizem que é lá de cima,
Batendo no véu que nos cobre,
Penetrando, invadindo-nos.
A chuva do inverno chegou.
E nós, meu Amor, a onde vamos?
Sobre a tua pele, fria
Pela chuva que corre.
Percorre. As tuas veias,
Com as lágrimas de sangue
Que escorregam das faces
Das casas, inocentes,
Vindas do nada, intemporal,
Infinito finito
Que dizem que é lá de cima,
Batendo no véu que nos cobre,
Penetrando, invadindo-nos.
A chuva do inverno chegou.
E nós, meu Amor, a onde vamos?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Opiário.
Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
(...)
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.
Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
Álvaro de Campos
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.
(...)
A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.
Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.
Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.
Álvaro de Campos
domingo, 13 de dezembro de 2009
Passo.
Fechando a mente,
Ao real irreal,
Da manhã escurecida,
Do passo do tempo, lento.
Fechando a mente,
ao tudo, ao nada, àquilo.
Criando o travão e o não,
Ao sim de todo o sempre.
Fechando a mente,
A ti e a ninguém,
A mim e sempre ao eu,
Que existe na incerteza do próximo
Passo.
Passo a passo,
Fechando a mente,
Conseguir a luz da noite amanhecida,
Do amanhã sempre lonje,
Do hoje, sempre vizinho.
Ao real irreal,
Da manhã escurecida,
Do passo do tempo, lento.
Fechando a mente,
ao tudo, ao nada, àquilo.
Criando o travão e o não,
Ao sim de todo o sempre.
Fechando a mente,
A ti e a ninguém,
A mim e sempre ao eu,
Que existe na incerteza do próximo
Passo.
Passo a passo,
Fechando a mente,
Conseguir a luz da noite amanhecida,
Do amanhã sempre lonje,
Do hoje, sempre vizinho.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A febre da loucura suga-me as veias,
Nada mais que ternuras perdidas,
Antigas memórias, secas, teias,
As cortinas que me tapam, tingidas.
O sangue corre sem sentido,
À busca de uma alegria desconhecida.
O passado, como algo fingido,
Uma promessa não cumprida, prometida.
Jorra-me o ar que sufoca o pensamento,
O mar não é azul, o verde não é de fiar.
Morte a tudo que não foi, agora é tormento.
Morte a tudo que é, trilho leve de pesar.
Conta a história, uma vez mais,
Treina a mente àquilo que podes esperar,
Esconde-te, tapa a vista, não voltes jamais.
Não sei que ter, não sei o caminho para voltar.
Perdida. Num mar confuso.
Quais as melhores palavras,
Para ir avante neste andar tortuoso?
Não sei, não me deixeis seguir nestas taras.
Este veneno que me mata,
É doente, é uma droga, destruidora,
Me faz esquecer, me maltrata,
É puro, engano, faz-me perdedora,
Da vida, da gentileza dos dias,
Do sabor da flor que cobre os furacões.
Promete-me que me guias,
De volta, à languidez das paixões,
Na superficie da pele,
Poros abertos ao novo segredo,
Eu sei que estás nele,
Aqui dentro, talvez no medo,
Talvez na esperança de um algo que não sei bem o quê,
Não sei bem quando,
Mas sei que é.
Num dia, não muito distante, não muito próximo...
Fizeste-me sentir
O quão difícil é continuar
Novamente, igualmente, terrivelmente
Perdida no tentador mar de ideias,
Que não aceito, não quero, não olho,
Mas ficam lá. A espera. Até ganhar coragem.
E vê-las. Olhá-las, até que me partam,
Cortem tudo aquilo que me acorrentava.
E sou livre outra vez.
Para saborear como nunca,
O ar limpo da manhã e da Noite, que percorre os sentidos,
Despertos à frescura da Vida.
O anoitecer, o Sol, o céu azul e laranja,
Que no banco dos segredos me mostraste.
Fazes-me partir à descoberta.
A fina capa de água límpida,
Agora um rio,
Que vai desembocar,
Num novo mar,
Quem sabe,
Um novo sentir.
16/02/2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
Inveja.
Sentimento estúpido, inútil.
És pérfido com toda a tua beleza.
Es ódio e perfeição senil.
Galgas tudo, destróis pureza.
Olho-te como escondido entre barras,
Fujo virando o olhar ao horizonte finito,
Seguro, ignóbil, inocentes taras
Que queres mais? Chegar ao mais sujo instinto?
Es desgrenhado, matagal, suave, sugador.
És horror, pesadelo inacabável.
Promessas floridas,
realidades perdidas.
Matas-me, sufocas-me
Perdes-me o sentido,
perdes-me o jeito,
E sorris. Trabalho completo.
Não compreendo o incompreensível,
As janelas húmidas perdem a luz,
O caminho feito perde as pisadas,
o talho à frente esta-me fechado.
Encerrada.
Inveja. Tens-me encerrada.
Onde? Não sei.
Há saída? Não sei.
Vida? Talvez.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Devaneio.
Silêncio, brisa que me leva a sonhar
Cigarro na mão, palavras nos lábios
Um certo ar no meu caminhar
Que me eleva em passos perdidos
Penso como se nunca o tivesse feito
Nas novas perturbações num crescendo,
Num rodopiar sem acabar e imperfeito
Levando-me a um fogo frio tremendo
Sinto-me como um peixe perdido
No meio do teu sahara imperdoável
Levas-me à loucura dum suicidio cometido
Um turbilhão de "algo" interminável
E fico assim, parada na estrada oca,
Como se algo aparecesse, figurando-se em mim
Como algo fenomenal, algo que me toca
Acordando-me. Nada foi só "porque sim".
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