Destrói comigo a tormenta
Permite-me a vingança, entrelaçados,
Num sonho que já não me atormenta.
Leva-me. Puxa-me do fundo das águas,
Lago estagnado no tempo que aqui ficou,
Nas mãos infantis que minhas são, estendidas,
Na espera de saber onde estou.
Procura-me na floresta dos medos.
Eles apredejam-me com balas
Que penetram na pele. Os olhos queimados.
Porque é que não me falas
De sonhos, de terras distantes,
De sonhos, que não deixam o pesadelo
Real irreal que me afoga nos cobertores,
Na relva que piso como piso o meu desalento?
Talvez porque não ouço.
Fico-me no canto de castigo,
Porque assim quero, assim faço,
Assim permaneço com a porta no postigo.
Porque é que não fujo
Se nada me impede senão o terror
À Vida, ao Amor, à Aventura
A falta de coragem mata-me.
Morro lentamente,
Sufocada no meu próprio sangue,
Suor de trabalho forçado,
Água salgada que eu derramo,
Que percorre e corre,
Vigorosa.
Eu, esfomeada de aragem,
Brisa que me beija a face.
Eu, sanguinaria, prometo-me à dança da morte,
Num círculo onde acabarei caida
No meu próprio pé.
Sacia-me. Acaba com esta sede.
Peço de mais. Bate-me.
Morde-me. As estrelinhas cairam.
Tento subir pelas escadas da torre,
Levo cola na mão, estrela na outra.
Não, cola não.
Amor, beijo, saliva.
Cuspo. Cuspo palavras
Ao mesmo tempo que o Tempo cospe a mim.
Aqui sentada, a meia luz,
A televisão na sala. Eu, pedrada.
Pedrada de sono. Pedrada de ódio.
As drogas pouco fazem.
O meu ópio é a minha pena.
Ser gasto. Sem Sonho.
Ser sôfrego de mar, sal, terra,
Vestido branco sujo de sangue, de terra.
Cheiro a pele queimada contra a minha.
Não sei que digo, não sei que faço,
Escupo, escupo palavras.
Não sei escrever. Escupo desenhos em páginas brancas,
Pelo desejo de corrompe-las.
Acabar com uma inocência que já não me pertence.
Sinto-me pequenina, velha, rugas que me cobrem.
As pessoas me fojem.
As formigas me comem.
Cádaver em potência.
Morte em processo. Lento, lentamente,
Como a aragem que tanto desejo,
Ensejo no horizonte.
Horizonte? Há?
Procura-me. Não. Eu procuro.
Vou sair. Não volto.
Corto as cordas, os nós que me prendem o corpo nú
À luz da Lua. Lua com o teu brilho de Sol.
Dois, uno. Luz e escuridão, fragilidade e coração
Apertado num só corpo dividido.
Que desejo? Não sei.
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
Que quero? Não sei.
Há vida? Talvez.
Queres Vida?
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