Sinto o silêncio que corrobora
nesta dança a um. O solitário movimento
da cintura e as mãos agarradas à lâmina
do vento é o mais triste sentimento que
m’acompanha neste baile de fantasmas.
O vestido enrolado entr’as pernas
tementes, rasga o passo a passo, tapando
a música gritada na vastidão vazia.
Vagueio em valsa por entre as pedras da
noite, procurando nos sussurros do
vento-faca, as palavras com que me lancei
para este monólogo de silêncios.
Tropeça o pé. Tropeça o vestido entr’as pernas
tementes. Tropeça a dança solitária.
Caem as palavras, espalhando-se no chão
de picos, inalcançáveis. Olho para as palmas
das mãos, sujas. Vejo a cara, desfigurada
no movimento mecânico que me puxa o corpo
para esta dança de fantasmas.
Toca o sino, toca a música. É o fim.
É o começo.
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